Frankenstein: Capítulo 7

Resumo & Análise

RESUMO

A correspondência de Alphonse
O capítulo inicia-se em Ingolstadt com Victor recebendo uma carta angustiada de seu pai, Alphonse Frankenstein. A mensagem traz uma notícia trágica que destrói instantaneamente a breve paz e a recuperação de Victor.
O assassinato de William
Alphonse relata que o irmão mais novo de Victor, o pequeno William, foi assassinado. A criança havia se perdido enquanto brincava de esconde-esconde e, após buscas durante a noite, foi encontrada morta na manhã seguinte, exibindo marcas evidentes de estrangulamento no pescoço.
O roubo do medalhão
A carta detalha que Elizabeth havia permitido que William usasse um valioso medalhão contendo o retrato em miniatura de Caroline Beaufort (a mãe de Victor). Como o objeto desapareceu do corpo do menino, a família deduz que o roubo foi a motivação central do crime.

ANÁLISE

O recebimento da carta destrói violentamente o “clímax de felicidade” e a negação psicológica construídos no Capítulo 6. Victor acreditava que, ao ignorar a sua criação, esta deixaria de existir. O assassinato de William prova que o passado profano de Victor não apenas sobreviveu, como agora exige um preço de sangue à sua família. A vítima não é aleatória; William representa a pureza absoluta e a inocência não contaminada do Éden familiar de Genebra — tudo o que a Criatura não é e nunca poderá ser. O roubo do medalhão com o retrato de Caroline Beaufort (a mãe morta) evoca o trauma original de Victor. O monstro ataca o núcleo da maternidade e da família, esferas que Victor tentou subverter ao criar a vida sozinho, sem uma mulher.

Partida imediata
Completamente aturdido e em estado de choque, Victor abandona a universidade e inicia de imediato a sua longa viagem de retorno a Genebra. Conforme Victor se aproxima de sua terra natal, a viagem torna-se lúgubre e dolorosa. Ao avistar os Alpes e o lago, uma violenta e majestosa tempestade noturna eclode ao redor do Monte Branco, refletindo a turbulência e a angústia de seus próprios pensamentos.

No Romantismo, a natureza frequentemente reflete o estado interior das personagens. A tempestade violenta, majestosa e aterrorizante nos Alpes suíços é a manifestação física do tumulto, do terror e da culpa que assolam a mente de Victor. A tempestade elétrica possui um forte peso simbólico. Foi um raio que inicialmente inspirou o interesse de Victor pela eletricidade (ao destruir um carvalho na sua juventude), e foi a eletricidade que, presumivelmente, serviu como a “centelha da vida” para animar a Criatura. Agora, os mesmos relâmpagos servem como holofotes macabros para revelar as consequências monstruosas de seus atos.

Visita ao local do crime
Em meio à tempestade de raios e trovões, Victor decide visitar os arredores de Plainpalais, o exato local onde o corpo de seu irmão foi encontrado. Durante um intenso clarão de relâmpago, Victor avista uma figura gigantesca e deformada escondida entre as árvores, movendo-se com velocidade sobre-humana pelas encostas das montanhas.
A dedução aterradora
Ele reconhece imediatamente a Criatura à qual deu vida cerca de dois anos antes e que não via desde o momento de seu despertar. Diante da presença furtiva do monstro no palco do assassinato, Victor chega à conclusão instantânea e inabalável de que a sua criação é a verdadeira assassina de William.

O momento em que Victor avista a Criatura iluminada pelo relâmpago é um dos mais cruciais da obra. Psicologicamente, a Criatura atua como o doppelgänger (o duplo sombrio) de Victor. O monstro materializa a arrogância, o egoísmo e as transgressões ocultas do criador. Eles estão intrinsecamente ligados; a monstruosidade física da Criatura espelha a monstruosidade moral de Victor. A dedução imediata de Victor de que o monstro é o assassino não é baseada em evidências lógicas, mas numa profunda intuição de culpa. Ele sabe do que a Criatura é capaz porque compreende que ela nasceu da sua própria profanação. Victor percebe que, indiretamente, foi a sua própria mão que estrangulou o irmão.

A noite nos arredores
Como os portões de Genebra já estão fechados quando ele chega à cidade, Victor é obrigado a passar o resto da madrugada ao relento, imerso em pavor sobre as consequências dos seus atos. Na manhã seguinte, ele dirige-se à casa da família, onde encontra seu pai e Elizabeth mergulhados num luto profundo e desolador.
A acusação contra Justine Moritz
Seu irmão Ernest recebe-o com uma notícia igualmente chocante: a adorada criada e protegida da família, Justine Moritz, foi acusada formalmente do assassinato. Justine fora vista vagando desorientada perto do local do crime na manhã seguinte, caiu de cama com febre e, o mais incriminador, um servo encontrou o medalhão roubado de William no bolso do seu vestido.
O silêncio de Victor
Sabendo que o monstro é o verdadeiro culpado, Victor assegura passionalmente à sua família que Justine é inocente. No entanto, por temer ser considerado louco e para não revelar a sua abominação profana, decide não relatar publicamente a existência da Criatura, convencendo-se de que a justiça dos tribunais provará inevitavelmente a inocência da jovem.

Ao descobrir que Justine Moritz, uma figura de lealdade e inocência, será julgada por um crime que Victor sabe ter sido cometido pelo seu monstro, ele escolhe o silêncio. Justifica essa inação com o medo de ser considerado louco pela sociedade. Na verdade, prioriza a proteção do seu próprio ego, da sua reputação e do seu segredo terrível acima da vida de uma inocente. Victor tenta acalmar a própria consciência convencendo-se de que as leis dos homens e os tribunais absolverão Justine, pois ela é inocente. Esta é uma transferência de responsabilidade. Ele, que brincou de ser Deus ao criar a vida, agora recusa-se a agir como um ser humano decente para salvá-la, confiando o destino de Justine a um sistema falho enquanto se omite nas sombras.

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