💡 Símile é uma figura de linguagem que estabelece uma relação explícita de semelhança entre dois elementos distintos. Diferentemente da metáfora, utiliza-se obrigatoriamente termos conectivos em sua construção, como as palavras “como”, “tal qual”, “parece” ou “assim como”.
O emprego das símiles (ou comparações explícitas) constitui um dos recursos estilísticos mais afiados do Realismo no Brasil. Sob a ótica da teoria literária e da retórica clássica, enquanto a metáfora opera por substituição direta e identificação implícita, a símile preserva a distância analítica entre dois domínios distintos — o termo comparado (assunto) e o termo comparante (imagem ou veículo) — por meio de conectivos explícitos (como, como se, tal qual, semelhante a) ou verbos de equiparação.
Longe de funcionarem como meros ornamentos líricos ou clichês sentimentais típicos do Romantismo, as símiles do romance atuam sob o signo da sátira menipeia, tradição clássica que funde o riso filosófico à gravidade trágica para desmascarar instituições e convenções morais. Na pena do “defunto autor”, o nexo comparativo serve como um instrumento de rebaixamento satírico e paródia, aproximando o elevado do banal, o espiritual do fisiológico e a pose aristocrática da barbárie escravocrata do Brasil Imperial.

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