💡 A metáfora é uma figura de linguagem que estabelece uma comparação implícita entre dois elementos de naturezas diferentes. Diferentemente do símile, ela não utiliza termos conectivos explícitos, criando uma equivalência direta ao afirmar que uma coisa é a outra.
Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, o emprego da metáfora constitui um dos alicerces estéticos e filosóficos mais sofisticados do Realismo no Brasil.
Longe de funcionarem como meros ornamentos líricos ou clichês sentimentais típicos do Romantismo, as metáforas da obra atuam sob o signo da sátira menipeia, tradição clássica que funde o riso filosófico à gravidade trágica para desmascarar instituições, sistemas intelectuais e pretensas verdades absolutas. Na prosa do “defunto autor”, a transposição metafórica opera como um instrumento de rebaixamento satírico e paródia, aproximando o espiritual do fisiológico, o sublime do grotesco e a pose aristocrática da barbárie escravocrata e utilitarista do Brasil Imperial.

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