Informações sobre a obra
Título completo: Memórias Póstumas de Brás Cubas
Autor: Machado de Assis
Idioma: Português (Brasil)
Data da escrita: Final da década de 1870 e publicado originalmente em folhetins a partir de março de 1880.
Local de escrita: Cidade do Rio de Janeiro, Brasil.
Data de publicação: O livro veio a público primeiramente aos pedaços na Revista Brasileira, no ano de 1880.
Período literário: A obra inaugurou o Realismo Brasileiro.
Gênero: Romance
Narrador: Brás Cubas, que se intitula não propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, escrevendo do outro lado da vida.
Cenário: Embora o personagem passe por outros locais, como Coimbra e a Europa durante a juventude, o cenário principal de sua vida e narrativa é a cidade do Rio de Janeiro. Ambientes como a chácara do Catumbi, o Passeio Público, a Tijuca e a casinha escondida na Gamboa figuram como espaços centrais da trama.
Ponto-de-vista: Primeira pessoa
Tom: Uma mistura inusitada entre a pena da galhofa e a tinta da melancolia. Há um constante sentimento amargo e áspero que costura o texto, marcado por forte ironia e por diversas rabugens de pessimismo.
Protagonista: Brás Cubas. Típico homem rico e solteiro da elite fluminense, que vive uma trajetória de inconstâncias até falecer aos sessenta e quatro anos.
Antagonista: A própria futilidade da vida humana, a passagem cruel do tempo e a organização da sociedade. Na trama, o personagem Lobo Neves atua diretamente como uma barreira física e social, rivalizando com o protagonista pelas posições na política e pelo domínio amoroso sobre Virgília.
Conflitos: Um dos conflitos internos centrais gira em torno da ambição do protagonista por fama e influência política (o amor da glória) entrando em choque direto com a sua natureza preguiçosa e fútil. No plano amoroso, o grande conflito concentra-se na manutenção de um relacionamento adúltero intenso entre Brás Cubas e Virgília, contraposto ao terror constante de serem descobertos e julgados pelo olhar inquisidor da opinião pública.
Ação Ascendente: A intriga ganha desenvolvimento ao narrar a trajetória inicial do protagonista, marcado desde os seis anos como um “menino diabo”, e ao apresentar o seu primeiro grande e custoso amor de juventude por Marcela. A linha narrativa avança passando pelos parcos estudos em Coimbra e chega à vida adulta no Rio de Janeiro, onde o personagem reencontra Virgília, agora uma mulher já casada com Lobo Neves. A paixão entre eles atinge grande intensidade, levando-os a planejar e viver encontros secretos em uma recôndita casa no bairro da Gamboa.
Clímax: A tensão da trama atinge seu nível máximo quando o marido, Lobo Neves, recebe em mãos uma carta anônima que expõe o envolvimento secreto e adúltero de Virgília e Brás Cubas. O risco iminente de escândalo e de ruptura violenta das aparências sociais termina forçando os amantes a se afastarem, quando Lobo Neves assume o cargo de presidente de província e viaja com a esposa.
Ação descendente: Com a separação amorosa, o protagonista vivencia a velhice batendo à porta, acompanhada pelo distanciamento do antigo romance e pela sucessão de mortes daqueles que conhecera, como o seu pai, Dona Plácida, Marcela e o próprio Quincas Borba, que perde totalmente o juízo antes de expirar. As ambições políticas e jornalísticas falham sumariamente. No fim de seus dias, sobra-lhe apenas a dedicação excessiva à formulação do seu emplasto, período no qual contrai a doença que finaliza sua trajetória de desilusões.
Antecipação Narrativa: A subversão estrutural da obra estabelece uma fortíssima antecipação narrativa, pois ela se abre relatando imediatamente a morte física do protagonista e a criação do emplasto farmacêutico responsável indireto pelo seu fim. Ademais, o romance introduz logo cedo que a travessia póstuma não lhe resultou glória, estabelecendo que o desfecho de suas existências redundaria apenas no saldo incontestável de que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado de sua miséria.

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