Personagens

Lista dos Principais

OS AQUEUS (AQUIVOS, ACAIOS, DÂNAOS)

 

AQUILES

Aquiles é o maior guerreiro da mitologia grega, filho da deusa aquática Tétis e do rei mortal Peleu. Tornou-se quase invulnerável ainda bebê ao ser mergulhado no rio Estige, restando apenas o calcanhar como o seu único ponto fraco. Na Guerra de Troia, a sua força insuperável e a sua fúria cósmica tornam-se os elementos decisivos para os rumos do conflito épico. (v. Cantos: I; II; IX; XI; XVI; XVIII; XIX; XX; XXI; XXIII; XXIV)

📝 Ler a análise detalhada de Aquiles

 

AGAMEMNON

O rei por excelência, que governou Micenas, é o detentor do comando supremo dos gregos na guerra contra Troia. Também é conhecido como rei da Lacedemônia ou de Argos. Filho de Atreu e Aérope, é designado, assim como seu irmão Menelau, como atrida, que significa “filho de Atreu”. Na Ilíada ele é um dos personagens mais importantes, já que toda a história se desenrola desde uma desavença que tem com Aquiles. (v. Cantos: I; II; IV; IX; XI; XIV; XIX)

📝 Ler a análise detalhada de Agamemnon 

 

PÁTROCLO

O maior amigo de Aquiles, o filho de Menetes. É bem difundida a ideia de que entre os dois havia mais do que uma simples amizade. Os dois lutaram juntos também em outras batalhas. Pátroclo entra na guerra de Troia com a armadura de Aquiles, para apenas afugentar os troianos, mas acaba sendo morto por Heitor. É assim que Aquiles renuncia à sua ira por Agamemnone e retorna à batalha. (v. Cantos: I; IX; XI; XV; XVI; XVII; XIX)

📝 Ler a análise detalhada de Pátroclo 

 

ODISSEU

Esse é o seu nome em grego; já o nome latino é Ulixes, conhecido em português como Ulisses. Embora Odisseu seja famoso como o protagonista da Odisseia, é na Ilíada que as bases de sua complexidade são forjadas. Nela, Odisseu atua como o contraponto vital: ele é a personificação da inteligência ardilosa, da estratégia e da eloquência (mêtis). (v. Cantos: I; II; III; IV; IX; X; XI; XIV)

📝
Ler a análise detalhada de Odisseu

 

DIOMEDES

Filho de Tideu (frequentemente chamado de Tídida), é um das mais fascinantes e complexos personagens da Ilíada. Enquanto Aquiles é o coração emocional do épico e Heitor é a sua alma trágica, Diomedes representa o ideal marcial e tático acaiano, sendo um herói perfeitamente equilibrado, um contraponto racional à fúria desmedida de outros personagens. (v. Cantos: II; IV; V; X)

📝 Ler a análise detalhada de Diomedes

 

NESTOR

Rei de Pilo, descendente de Neleu, casado com Eurídice (ou Anaxíbie). Extremamente famoso na Ilíada, onde aparece como um ancião sábio que oferece conselhos valiosos. (v. Cantos: I; II; VII; IX; XIV; XXIII)

📝 Ler a análise detalhada de Nestor

 

MENELAU

Rei de Esparta, capital da Lacônia (ou Lacedemônia), filho de Atreu
(daí o epíteto atrida) e Aérope; irmão de Agamemnon. Helena o escolheu como seu marido, mas, ao ser sequestrada por Páris, com o auxílio de Afrodite, deu-se início à Guerra de Troia. (v. Cantos: II; III; IV; XV; XVII)

📝 Ler a análise detalhada de Menelau

 

GRANDE AJAX

Filho de Telamão, é um dos heróis mais relevantes na Guerra de Troia, ao lado de Diomedes e Odisseu. Reina sobre Salamina e é visto como o segundo mais poderoso, atrás apenas de Aquiles. Foi Héracles, trajando a pele do leão, que o transportou de Telamão para participar da guerra de Troia. (v. Cantos: II; VII; IX; XI; XV; XVI; e XVII)

📝 Ler a análise detalhada de Ajax Telemônio

 

PEQUENO AJAX

Ajax, líder dos lócrios, é filho de Oileu, conhecido como Ajax Menor, para distingui-lo de Ajax Telamônio, que é o filho de Telamão. Figura em todas as importantes batalhas da Ilíada, sendo visto como bastante arrogante e ímpio. Realiza sacrilégios diante de Atena, resultando na perda de uma grande parte dos navios gregos, incluindo o seu, mas Poseidon o resgata. (v. Cantos: II; X; XIII; XIV; XVII; e XXIII)

 

CALCAS

Vidente de Micenas, que interpreta o voo dos pássaros. Filho de Testor, é neto de Apolo e o dom da vidência lhe foi dado por este deus. É um dos mais renomados adivinhos da Grécia e um valioso conselheiro em batalhas. É ele quem revela a origem da praga que atingira o exército aqueu, afirma que sem Aquiles a cidade nunca seria conquistada e ainda interpreta o símbolo da serpente devorando oito pássaros, explicando que Tróia só seria tomada após o oitavo ano. (v. Cantos: I e II)

 

IDOMEU

Rei de Creta, filho de Deucalião e neto de Minos., foi um dos pretendentes de Helena e luta ao lado dos gregos na Guerra de Troia. É um dos grandes heróis, um dos nove líderes que se apresentam para enfrentar Heitor. (v. Cantos: I; II; XIII; XVII; XXIII)

 

MACAÓN

Filho de Asclépio (daí asclepíade) e irmão de Podalírio, que também era médico.  Macáon estava entre os pretendentes de Helena, e por essa razão liderou uma frota rumo a Troia. É conhecida a sua cura de Filoctetes, que fora ferido por Héracles. Na Ilíada foi chamado para tratar do ferimento de Menelau no Canto IV, e ferido por Páris, no Canto XI.

 

PELEU

Pai de Aquiles e filho de Zeus. Embora frequentemente mencionado na obra, nunca aparece pessoalmente. Príamo memoravelmente lembra de Peleu quando persuade Aquiles a restituir aos troianos o corpo de Heitor no Canto XXIV.

 

FENICE

Filho de Amíntor, monarca de Éleon, na Beócia, e de Hipodâmia. Amíntor possuía uma amante que tentou seduzir Fenice. Ela relata ao seu pai que ele a violentou, e Amíntor o deixa cego. Fenice dirige-se a Peleu, que por sua vez o envia ao centauro Quíron, que o trata. Peleu lhe entrega seu filho Aquiles, e Fenice começa a acompanhá-lo como conselheiro. Faz o papel de mediador em uma disputa entre Aquiles e Agamemnon. (v. Canto IX)

 

MIRMÍDONES

Guerreiros sob comando de Aquiles, com base na Ftia.

 

OS TROIANOS

HEITOR

Filho mais velho de Príamo e Hécuba, considerado o maior guerreiro de Troia. Evita o confronto enquanto Aquiles se encontra em batalha contra os gregos, pois tem consciência de que seu destino é ser derrotado pelo herói. Na guerra conta com a assistência significativa de dois deuses: Ares e Apolo. (v. Cantos: I; V; VI; VII; XII; XVI; XXII; XXIII; XXIV)

📝 Ler a análise detalhada de Heitor

 

PRÍAMO

Filho mais novo de Laomedonte. Rei de Troia durante a guerra,
mas já bastante idoso. Pai de Páris, que rapta Helena, e Heitor, o maior herói dos troianos, e também de muitos outros guerreiros valorosos. (v. Cantos: III; VII; XX; XXI; XXII; XXIV)

📝 Ler a análise detalhada de Príamo

 

PÁRIS

Filho mais novo de Príamo e de Hécuba, também chamado Alexandre, e irmão de Heitor. É a engrenagem que coloca a Ilíada em movimento — afinal, foi o seu rapto de Helena que trouxe a armada aqueia aos portões de Troia. No entanto, dentro do poema de Homero, atua como a antítese absoluta do ideal heroico. (v. Cantos: III; VI; XII; XIII; XV; XXII; XXIV)

📝 Ler a análise detalhada de Páris

 

HELENA

Filha de Zeus e da mortal Leda, era casada com Menelau e foi sequestrada por Páris, que era o filho do rei Príamo de Troia, o que provocou a Guerra de Troia. Na Ilíada, Helena não é uma vilã superficial nem uma donzela indefesa; ela é uma mulher profundamente isolada, enojada com as próprias escolhas e aprisionada pelas vontades dos deuses. (v. Cantos: II; III; VI; XXIV)

📝 Ler a análise detalhada de Helena

 

BRISEIDA

Uma das figuras mais paradoxais da Ilíada de Homero. Embora tenha poucas falas e seja tratada quase exclusivamente como um objeto ao longo do poema, é o catalisador estrutural de todo o épico. É o confisco de Briseida por Agamemnon que desencadeia a mênis (ira) de Aquiles, o tema central e a força motriz da Ilíada.

📝 Ler a análise detalhada de Briseida

 

HÉCUBA

Rainha de Troia, esposa de Príamo e mãe de heróis como Heitor e Páris. Após a morte de Heitor e a profanação do seu corpo por Aquiles, a dor de Hécuba a leva ao limite da humanidade. Quando Príamo decide ir sozinho até o acampamento grego para resgatar o corpo do filho, Hécuba entra em pânico, temendo perdê-lo também, e questiona a sanidade do marido.

 

ENÉIAS

Grande herói troiano, filho de Afrodite e de Anquises. Os romanos acreditavam que o herói fundou posteriormente a sua cidade. Protagonista da obra-prima de Virgílio, a Eneida. (v. Cantos: II; V e XIII)

 

ANDRÔMACA

Filha de Eecião (ou Etion), rei de Tebas, na Mísia, cuja cidade
foi saqueada por Aquiles antes do nono ano da Guerra de Troia. Esposa de Heitor, perdeu seus sete irmãos e seu pai no ataque de Aquiles. Teve com Heitor um único filho, Astianacte (ou Astíanax). Depois da queda de Troia, como escrava, foi para as mãos de Neoptólemo, filho de Aquiles.

 

ASTÍANAX

Filho de Heitor e Andrômaca, na Ilíada aparece em uma cena de despedida do pai.

 

HELENO

Príncipe troiano que combina habilidade marcial com o dom da profecia, servindo como o principal conselheiro tático do seu exército. Sua orientação mais decisiva ocorre no Canto VI, quando instrui sabiamente seu irmão Heitor a organizar as tropas e pedir que as mulheres de Troia ofereçam sacrifícios a Atena para tentar aplacar a fúria grega.

 

POLIDAMANTE

Vidente troiano, nasceu na mesma noite que Heitor e, como ele, tem força e habilidade nos conselhos. Polidamante aconselha os troianos, mas suas manifestações são descartadas por Heitor. (v. Canto XVIII)

 

GLAUCO

Grande general troiano, filho de Hipóloco e primo de Sarpédon. Na luta contra Diomedes, acaba por encerrar o embate quando descobre ligações entre os dois. Trocam armas em um exemplo do espírito da hospitalidade, importante código de respeito na época. (v. Canto VI)

 

AGENOR

Um guerreiro que quase luta contra Aquiles e acaba atrasando o herói tempo suficiente para que os troianos alcancem a muralha de Troia. (v. Canto XXI)

 

DÓLON

Filho único de Eumedes, era famoso por ser rápido na corrida. É encontrado como espião dos troianos por Diomedes e Odisseu, sendo morto cruelmente por eles. (v. Canto X)

 

PÂNDARO

Filho de Licáone, é o general de uma tropa dos lícios enviada a Troia para ajudar Príamo. Vem da cidade de Zeleia. O próprio Apolo lhe ensinou a usar o arco. Apesar de conseguir ferir Menelau, acaba morto por Diomedes. (v. Canto IV)

 

ANTENOR

Conselheiro do rei Príamo, aconselha os troianos a devolver Helena, para encerrar a guerra, ao que Páris se recusa. (v. Canto VII)

 

SARPÉDON

Grande guerreiro troiano que ajudou a invadir o acampamento grego. Foi morto por Pátroclo e houve grande luta ao redor do seu corpo. Diz-se ser irmão de Minos, filho de Zeus e Laodâmia. (v. Canto XVI)

 

CRISES

Pai de Criseida, raptada por Agamemnon. Crises tenta recuperar sua filha e como não é atendido, roga a Apolo para que o vingue. Crises acaba sendo devolvida para o seu pai. Ela estava grávida na época do rapto, e seu filho, nomeado pelo avô Crises, tem uma parte na lenda de Orestes, seu irmão por parte de pai. (v. Canto I)

 

CRISEIDA

Filha de Crises; foi raptada pelo rei Agamemnon. (v. Canto I)

 

DEÍFOBO

Um dos mais proeminentes e valentes príncipes troianos, lutando ativamente e com bravura na defesa de sua cidade ao lado de seu irmão Heitor. É morto por Menelau. Seu papel ganha um peso narrativo e trágico crucial no Canto XXII, quando a deusa Atena assume cruelmente sua forma para enganar Heitor, dando-lhe a falsa esperança de apoio fraterno antes de abandoná-lo para ser morto por Aquiles. (v. Canto XIII)

 

CASTOR E POLIDEUCES (PÓLUX)

Chamados de Dióscuros, não participam ativamente da guerra, sendo mencionados de forma melancólica no Canto III, quando sua irmã, Helena, os procura em vão entre as tropas gregas a partir das muralhas de Troia. Ela suspeita que os irmãos a evitam por vergonha de sua fuga, ignorando a trágica revelação feita pelo narrador: a terra pátria já os havia sepultado em Esparta.

 

AS DIVINDADES E OS IMORTAIS

ZEUS

Na Ilíada, Zeus não é apenas um personagem ou o rei dos deuses; é o eixo em torno do qual gira toda a arquitetura cósmica, moral e narrativa do poema. Logo nos primeiros versos da epopeia, Homero anuncia que, por trás da fúria de Aquiles e da carnificina em Troia, “a vontade de Zeus se cumpria” (o conceito de Dios boule). (v. Cantos: I; II; IV; V; VIII; IX; XIII; XIV; XV; XVI; XVII; XVIII; XIX; XX; XXI; XXII; XXIV)

📝 Ler a análise detalhada de Zeus

 

HERA

A mais poderosa entre as deusas Olímpicas, é esposa-irmã de Zeus, extremamente ciumenta, filha, assim, dos titãs Crono e Reia. Na Ilíada, é defensora fervorosa dos gregos contra os troianos. Isso se deve, em grande parte, ao episódio conhecido como “o pomo da discórdia” ou “o julgamento de Páris”. (v. Cantos: I; II; IV; V; VIII; XIV; XV; XVI; XVIII; XIX; XX; XXI; XXIV)

📝 Ler a análise detalhada de Hera

 

ATENA

Junto com Hera, participou da Guerra de Troia e sempre apoiou os gregos. Em diversas ocasiões, oferece suporte ao magnífico herói Diomedes. Atena representa a inteligência tática e a contenção, em oposição à paixão desenfreada. (v. Cantos: I; II; IV; V; VIII; XI)

📝 Ler a análise detalhada de Atena

 

TÉTIS

Mãe de Aquiles, uma das Nereidas (filhas de Nereu, o Velho do Mar) e Dóris. No Canto I, quando Aquiles é desonrado pelo rei Agamemnon, o herói chora à beira-mar e chama pela mãe. Tétis não apenas o consola, mas sobe ao Monte Olimpo para interceder junto a Zeus, exigindo que o deus honre seu filho, favorecendo os troianos na guerra para que os gregos percebam o quanto precisam de Aquiles. (v. Cantos: I; VI; IX; XVIII; XIX; XXIV)

📝 Ler a análise detalhada de Tétis

 

APOLO

Um dos deuses mais significativos do panteão grego. Ele é, antes de tudo, o deus da profecia, das artes e da música (as Musas dependiam diretamente dele). É igualmente o deus do arco e poderia ceifar vidas em massa e arrasar cidades com suas flechas em forma de calamidades. (v. Cantos: I; IV; V; XV; XVI; XVII; XX; XXI; e XXIII)

📝 Ler a análise detalhada de Apolo

 

AFRODITE

Protetora divina de Páris e de Troia, agindo como a personificação do desejo destrutivo que originou a guerra. Seu poder reside no controle emocional e na sedução, o que fica evidente ao resgatar Páris da morte certa e obrigar Helena a se entregar a ele. É completamente inadequada e frágil no combate físico, chegando a ser ferida e humilhada em batalha pelo herói mortal Diomedes. (v. Cantos: II; III; IV; V; IX; XIV; XIX; XX; XXI)

 

POSEIDON

Atua como um feroz aliado dos gregos, movido pelo rancor contra o antigo rei troiano Laomedonte, que o enganara ao não pagar pela construção das muralhas da cidade. Contrariando Zeus,  intervém fisicamente e de forma incisiva nas batalhas, usando disfarces para inspirar e reagrupar os guerreiros aqueus à beira da derrota. (v. Cantos: I; VII; VIII; XII; XIII; XIV; XX; XXI)

 

HEFESTO

Destaca-se como o magistral deus ferreiro, sendo vital para a narrativa ao forjar a lendária armadura de Aquiles e ao atuar como uma força elemental implacável ao subjugar o deus-rio Escamandro com seu fogo. Embora atue como apaziguador e alívio cômico nas tensões políticas do Olimpo, representa o triunfo do trabalho árduo e da habilidade técnica em meio às vaidades e disputas dos outros deuses. (v. Cantos: I; XVIII; XXI)

 

ARTEMIS

Deusa alinhada a Troia que possui uma participação menor e periférica, sendo amplamente ofuscada pela atuação decisiva de seu irmão Apolo. Sua inadequação para o combate brutal é evidenciada de forma cômica no Canto XXI, quando é humilhantemente espancada por Hera com seu próprio arco, fugindo em prantos para buscar o consolo de Zeus. (v. Cantos: V; VI; XVI; XIX; XX)

 

ARES

Personifica a brutalidade irracional e o caos da guerra, lutando a favor de Troia, embora seja amplamente detestado por mortais e deuses, incluindo seu próprio pai, Zeus. Homero o retrata de forma patética e covarde, sendo sobrepujado pela tática de Atena e fugindo aos prantos para o Olimpo após ser ferido pelo mortal Diomedes. (v. Cantos: II e V)

 

HERMES

Mensageiro astuto e guia divino, tendo seu momento mais crucial e tocante ao escoltar furtivamente o rei troiano Príamo pelo acampamento grego inimigo para resgatar o corpo de Heitor. Personifica a furtividade, a diplomacia e a mediação pacífica. (v. Cantos: II; V; XVI; XX; XXI; XXIV)

 

ÍRIS

Ágil e incansável mensageira divina, servindo principalmente como voz direta de Zeus para transmitir ordens e avisos vitais tanto a deuses quanto a mortais. (v. Cantos: II; III; V; VIII; XI; XVIII; XXIII; XXIV)

 

MUSAS

Divindades fundamentais de inspiração, invocadas no prólogo e em momentos cruciais para que o poeta possa narrar os fatos grandiosos que, de outro modo, seriam inalcançáveis à memória humana. Homero as retrata não apenas como figuras poéticas, mas como testemunhas oculares que habitam o Olimpo, conferindo à obra sua autoridade divina e garantindo a preservação eterna da glória dos heróis e da brutalidade da guerra. (v. Cantos I e II)

 

ASCLÉPIO

Deus da medicina, filho de Apolo. Na Ilíada ainda não é cultuado como um deus, sendo mencionado por Homero como um honorável rei mortal da Tessália e um “médico sem igual”. Sua importância se dá através do seu legado, pois é o pai de Macaón e Podalírio. (v. Canto IV)

 

AURORA (ÉOS)

Belo e constante marcador temporal poético, imortalizada pelo epíteto de deusa dos “dedos de rosa”, anunciando o alvorecer de cada novo dia de batalha ou trégua. Afastada das sangrentas intrigas do Olimpo, desponta diariamente do leito de Titono para trazer a luz aos deuses e mortais, servindo como o dispositivo rítmico natural que dita a inexorável passagem do tempo no épico de Homero. (v. Cantos: XV e XXII)

 

BÓREAS

Atua como a personificação do impetuoso Vento Norte, tendo sua participação mais vital quando é invocado por Aquiles, através de Íris, para fustigar e acender as chamas da pira funerária de Pátroclo. Além de intervir como uma veloz e violenta força elemental, Homero o menciona em um impressionante mito genealógico, relatando como assumiu a forma de um garanhão escuro para gerar os cavalos magicamente velozes do rei troiano Erictônio. (v. Cantos: V e IX)

 

CRONO

Não atua diretamente nos eventos da guerra, sendo lembrado apenas como o antigo governante cósmico que foi deposto e aprisionado nas sombrias profundezas do Tártaro. Sua presença no épico é puramente genealógica e simbólica. (v. Cantos: VIII e XIX)

 

DEMÉTER

Não tem qualquer participação ativa nos combates ou nas intrigas políticas do Olimpo, mantendo-se completamente alheia à sangrenta Guerra de Troia. Homero a evoca de forma poética e simbólica, associando seu nome aos campos de cultivo e ao “grão de Deméter”, destacando-a como a provedora pacífica do sustento humano em meio à destruição bélica. (v. Cantos: II, V e XIII)

 

MOIRAS

Necessidade inexorável do destino, sendo o poder soberano que estabelece o fio da vida de cada homem desde o nascimento, não podendo ser alterado nem mesmo pelos deuses. Sua presença é sentida através da submissão de Zeus ao peso da balança do destino, que determina que nem ele pode evitar a morte de um herói, como Heitor ou Sarpédon, quando a hora final, traçada por estas divindades, finalmente chega. (v. Cantos: XVI e XVII)

 

DIONISO

Não participa ativamente da Guerra de Troia, sendo citado apenas no Canto VI durante uma lenda narrada pelo herói aqueu Diomedes. O episódio conta como o deus, apavorado ao ser perseguido pelo rei mortal Licurgo, fugiu mergulhando no mar para se abrigar no colo de Tétis, servindo como uma lição sobre a ruína destinada aos mortais que ousam desafiar as divindades.

 

DISCÓRDIA (ÉRIS)

Frequentemente a única divindade a permanecer no campo de batalha para se deleitar com a carnificina humana. Seu papel destrutivo é evidenciado de forma marcante no Canto XI, quando é enviada por Zeus aos navios gregos para soltar um grito terrível que instila em cada guerreiro um desejo cego, implacável e incontrolável pela guerra.

 

ERÍNIAS

Temíveis e implacáveis guardiãs da ordem cósmica e moral, sendo frequentemente invocadas para garantir o cumprimento de juramentos e punir transgressões contra a hierarquia e os laços familiares. Sua intervenção mais surpreendente e simbólica ocorre no Canto XIX, quando silenciam abruptamente Xanto, o cavalo falante de Aquiles, restaurando as fronteiras estritas da natureza logo após o animal ter profetizado a morte iminente do herói. (v. Cantos IX e XV)

 

ZÉFIRO

Vento Oeste, força da natureza marcada por sua velocidade extrema, sendo frequentemente invocado para descrever a rapidez dos cavalos de corrida ou o movimento célere dos deuses e heróis. Ao se unir à harpia Podarge, na forma de um garanhão, gera Xanto e Bálio, os divinos e imortais cavalos de Aquiles, dotados de uma velocidade que supera a dos próprios ventos. (v. Canto XXIII)

 

EURO

Vento Leste, filho de Astreos e Éos. (v. Cantos: II e XVI)

 

NOTO

Vento Sul, frequentemente associado a tempestades violentas que agitam o mar e confundem os navegantes. (v. Canto II)

 

HADES

Mantém-se isolado do conflito, sendo caracterizado por Homero como o guardião sombrio do submundo e a divindade mais detestada pelos mortais devido à sua natureza implacável e inflexível. Seu momento de maior destaque ocorre no Canto XX, quando salta aterrorizado de seu trono, temendo que os tremores de terra provocados por Poseidon rachem o solo e exponham seu reino horrendo e decadente aos olhos dos vivos e dos deuses. (v. Cantos: I; III; V; VI; VIII; XV; XVI)

 

HÉLIO

Entidade majestosa que “tudo vê e tudo ouve”, sendo invocado fundamentalmente como a testemunha suprema e infalível nos juramentos solenes entre gregos e troianos. Sua raríssima intervenção ocorre no Canto XVIII, quando é forçado a contragosto pela deusa Hera a se pôr mais cedo no Oceano, encerrando o dia de batalha prematuramente para salvar os aqueus da fúria troiana.

 

OCEANO

Divindade primordial, a fonte original de onde todos os rios, fontes e mares promanam a vida. Homero o reverencia como o “pai dos deuses”, situando-o na periferia extrema do cosmos, limite sagrado onde os deuses e os ventos se retiram para repousar e onde o sol se põe, marcando a fronteira absoluta entre o mundo dos mortais e a vastidão divina. (v. Cantos: I e III)

 

HARPIAS

Forças obscuras da natureza que personificam as rajadas de ventos de rapina, capazes de arrebatar pessoas sem deixar vestígios. Sua função mais notável no épico é de cunho genealógico: a harpia Podarge é citada por Homero como aquela que, ao pastar nas margens do Oceano, uniu-se ao vento Zéfiro para gerar Xanto e Bálio, os inigualáveis corcéis imortais de Aquiles. (v. Cantos: XVI e XIX)

 

HEBE

Serva diligente e devotada do Olimpo, não participando de batalhas, mas sim cumprindo funções domésticas, como servir o néctar no banquete dos deuses e atrelar os cavalos ao carro da rainha Hera. Sua função como curandeira divina é evidenciada no Canto V, onde banha e veste delicadamente o deus Ares, após este retornar ao Olimpo sangrando profusamente pelo ferimento infligido pelo guerreiro mortal Diomedes. (v. Canto IV)

 

NYX (NOITE)

Divindade primordial e tão poderosa que o próprio Zeus, o rei dos deuses, teme ofendê-la. Sua influência no épico é breve, mas significativa, aparecendo no Canto XIV como um poder de autoridade que impõe respeito absoluto, sendo a única força capaz de conter a fúria do pai dos deuses.

 

SONO (HIPNOS)

Divindade poderosa e astuta, cuja influência é temida e respeitada até mesmo por Zeus. Sua atuação mais memorável ocorre no Canto XIV, quando, atendendo a um pedido de Hera, ele adormece o rei dos deuses no monte Ida, permitindo que Poseidon intervenha livremente em favor dos aqueus e altere o curso da batalha troiana sem que Zeus possa interferir.

 

HORAS

Majestosas guardiãs celestiais do Olimpo, responsáveis por afastar e fechar as espessas portas de nuvens para a passagem dos deuses. (v. Cantos: V e VIII)

 

HÉRACLES (HÉRCULES)

Homero o utiliza como um poderoso recurso narrativo através de lembranças do passado, destacando-se a menção à sua antiga destruição de Troia e a história do seu conturbado nascimento, usada por Agamemnon para ilustrar a inevitabilidade do destino e a cegueira dos deuses. (v. Cantos: I; V; XIV; XV; XVIII; XIX)

gemini generated image rhp3jcrhp3jcrhp3 (1) (1)

Guias de estudos literários para todos os tipos de leitores.

Contato

© 2026 All Rights Reserved.