Visão Geral da história de Atena
Junto com Hera, participou da Guerra de Troia e sempre apoiou os gregos. Em diversas ocasiões, oferece suporte ao magnífico herói Diomedes. Na Odisseia, é a deusa mais relevante, protetora dedicada de Odisseu. É conhecida como “a de olhos glaucos” (azul-acinzentados) ou, às vezes, somente de Palas, como de Palas Atena. Nascido da cabeça de Zeus, sem mãe. Ele teria consumido a titânida Métis (Prudência) por temer que a filha dela fosse mais poderosa do que ele. Em virtude de uma intensa dor de cabeça, solicitou a ajuda de Hefesto, que, ao abrir sua cabeça, fez com que Atena nascesse, já adulta, completamente armada e pronta para a batalha. Zeus nutre um amor muito especial por ela que sempre consegue tudo o que deseja de seu pai. É tanto divindade da batalha quanto das artes e das ocupações. Sempre virginal, mas aprecia, contudo, as façanhas viris de diversos mortais, assistindo-os (Perseu, Jasão, Héracles, Diomedes). O seu animal é a coruja. Atena tem em seu escudo a cabeça da górgona Medusa, presenteada por Perseu. Assim como Odisseu, é conhecida não apenas por sua força, mas também por sua inteligência.
Atena na Ilíada
A Padroeira da Razão e do Autocontrole
Atena representa a inteligência tática e a contenção, em oposição à paixão desenfreada. Sua primeira grande intervenção no poema estabelece esse papel de forma brilhante. Quando a fúria de Aquiles contra Agamenon, no Canto I, atinge seu ápice e o herói puxa a espada para matar o rei, Atena desce do Olimpo, visível apenas para Aquiles. Ela o puxa pelos cabelos e o convence a usar palavras em vez de violência física. Neste momento, Atena atua como a personificação do autocontrole e da razão interior de Aquiles. A deusa não reprime a raiva dele, mas a canaliza de uma destruição cega para uma retaliação calculada (a retirada da batalha).
“Vim do céu para conter a tua fúria, se me quiseres obedecer… Cessa a contenda, não puxes da espada; fere-o com palavras.” — Atena para Aquiles (Canto I)
A Favorita dos Heróis: Intervenções Decisivas
Atena não ajuda todos indiscriminadamente, mas favorece heróis específicos que exibem traços que ela mesma encarna: inteligência, bravura e engenhosidade.
Atena concede a Diomedes, no Canto V, força e coragem sobrenaturais, além do poder de distinguir deuses de mortais. Ela até mesmo sobe em sua carruagem, atuando como sua auriga, e o ajuda a ferir tanto Afrodite quanto o próprio Ares. Aqui, a deusa eleva o mortal ao status quase divino através da parceria tática.
Embora a relação entre Atena e Odisseu seja muito mais explorada na Odisseia, na Ilíada Atena protege Odisseu, o herói da mente astuta, garantindo o sucesso na captura do espião troiano Dólon (Canto X) e inspirando suas palavras diplomáticas.
A Manipuladora Implacável
Atena também exibe um lado sombrio, implacável e profundamente manipulador. Está disposta a quebrar regras de honra e enganar mortalmente para garantir a vitória grega e a queda de Troia, motivada ainda pelo rancor do Julgamento de Páris.
Quando um duelo singular entre Páris e Menelau, no Canto IV, ameaça acabar com a guerra pacificamente, Atena (instruída por Zeus, mas agindo por vontade própria) disfarça-se e convence o troiano Pândaro a quebrar a trégua atirando uma flecha em Menelau. Isso reinicia o banho de sangue.
Na culminação do poema, no Canto XXII, Atena realiza seu ato mais cruel. Enquanto Heitor foge de Aquiles, ela toma a forma de Deífobo, o irmão favorito de Heitor. Ela o convence a parar de fugir e enfrentar Aquiles juntos.
Quando Heitor lança sua lança e se vira para pedir outra ao irmão, percebe que está sozinho. Atena o enganou para entregá-lo à morte.
Conclusão
Na Ilíada, Atena é muito mais do que um arquétipo mitológico; é a encarnação do heroísmo idealizado pelos gregos. A deusa recompensa a inteligência aliada à força, despreza a brutalidade sem sentido e age com uma determinação fria e calculista. Suas ações provam que, no mundo de Homero, a vitória militar não pertence àqueles com a maior força física (como Ares ou os Troianos), mas sim àqueles que aliam a bravura à estratégia impiedosa.