Título completo: A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca (The Tragedy of Hamlet, Prince of Denmark).
Autor: William Shakespeare.
Idioma: Inglês moderno inicial.
Data da escrita: Entre os anos de 1599 e 1601.
Local de escrita: Londres, Inglaterra.
Data de publicação: A primeira edição impressa, conhecida como First Quarto (Q1), foi publicada em 1603. Uma segunda edição (Q2), considerada mais longa e autêntica, foi publicada em 1604.
Período literário: Renascimento Inglês (Período Elisabetano).
Gênero: Tragédia; Tragédia de Vingança.
Narrador: Por ser uma peça teatral, a obra não possui um narrador tradicional. A história desenrola-se puramente através dos diálogos e das ações das personagens no palco.
Cenário: O Castelo de Elsinore, na Dinamarca, durante a Baixa Idade Média (século XIV ou XV).
Ponto-de-vista: Dramático e objetivo no que diz respeito ao desenrolar das cenas, mas torna-se altamente subjetivo e intimista quando se volta aos conflitos psicológicos do protagonista, cujas reflexões filosóficas guiam a percepção moral da audiência.
Tom: Sombrio, melancólico, reflexivo, filosófico, cínico e angustiante.
Protagonista: Príncipe Hamlet, o herdeiro do trono dinamarquês.
Antagonista: Rei Cláudio, tio e padrasto de Hamlet, que usurpou o trono após assassinar o próprio irmão.
Conflitos: O conflito principal é, em sua essência, interno: a profunda hesitação moral e a paralisia psicológica de Hamlet frente ao dever de vingar a morte de seu pai, debatendo-se entre a ação e a inércia, a vida e a morte. O conflito externo dá-se entre o protagonista e o Rei Cláudio, à medida que Hamlet tenta provar a culpa do tio, enquanto este percebe a ameaça e tenta eliminar o sobrinho.
Ação Ascendente: O fantasma do antigo rei aparece ao protagonista, revela que foi envenenado por Cláudio e exige vingança. Hamlet decide fingir loucura para investigar a verdade e desorientar a corte. Para confirmar a culpa do rei, contrata um grupo de atores para encenar uma peça (“A Ratoeira”) que reproduz exatamente os detalhes do assassinato de seu pai, com o intuito de observar a reação do usurpador.
Clímax: A encenação da peça atinge o seu objetivo e comprova a culpa de Cláudio, que interrompe o espetáculo perturbado. Logo em seguida, ocorre o ponto de maior tensão: Hamlet encontra o rei vulnerável, orando, mas hesita e decide não matá-lo naquele momento. Imediatamente depois, no quarto da rainha Gertrudes, o protagonista ouve alguém escondido atrás das tapeçarias e, acreditando ser Cláudio, apunhala-o cegamente. A vítima, no entanto, é o conselheiro Polônio. Esse assassinato acidental marca o ponto de não-retorno da tragédia.
Ação descendente: Após a morte de Polônio, Hamlet é enviado à Inglaterra com cartas que ordenam a sua execução, mas consegue forjar novas ordens e escapar de volta à Dinamarca. Ofélia, devastada pela rejeição amorosa e pela morte do pai, enlouquece e afoga-se. Laertes, irmão de Ofélia, retorna ao reino sedento por vingança. Cláudio aproveita-se do ódio de Laertes e manipula-o para desafiar o príncipe para um duelo de esgrima, preparando uma lâmina envenenada e um cálice de vinho letal para garantir a morte do protagonista.
Antecipação Narrativa: O clima lúgubre, o frio intenso e a aparição do fantasma silencioso logo na primeira cena antecipam que “há algo de podre no reino da Dinamarca” e que o derramamento de sangue é iminente. A constante obsessão do protagonista com a corrupção do corpo e a inevitabilidade da morte, cristalizada na famosa cena do cemitério com a caveira de Yorick, prepara o terreno para o fim trágico de quase todos os envolvidos. Além disso, os avisos de Polônio e Laertes a Ofélia sobre os perigos da aproximação de Hamlet prenunciam o fim destrutivo da jovem.
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