Personagens

Análise de Apolo

Visão Geral da história de Apolo
um dos deuses mais significativos do panteão grego. Ele é, antes de tudo, o deus da profecia, das artes e da música (as Musas dependiam diretamente dele). É igualmente o deus do arco e poderia ceifar vidas em massa e arrasar cidades com suas flechas em forma de calamidades. É ainda considerado o padroeiro dos médicos. Pesquisadores afirmam que ele é um deus que veio do Oriente. É denominado Febo, o Radiante, por ser o deus do Sol. É descendente de Zeus e Leto (ou Latona) e possui uma irmã gêmea, Ártemis, que também é uma arqueira. Zeus presenteia-o com uma lira e um carro puxado por cisnes. Ele é o deus do mais célebre oráculo da Grécia, situado no templo de Delfos, onde se pode ler em seu portal a inscrição “Conhece-te a Ti Mesmo”. Ali ele elimina a serpente Píton, que fazia a guarda do templo. Em cada ano, eram realizados festejos em honra a Apolo, tanto em Delfos quanto em Atenas.

Apolo na Ilíada

O Portador da Peste
Pode-se interpretar que Ilíada não começa com a fúria de Aquiles, mas com a fúria de Apolo. No Canto I, o líder grego Agamemnon comete o erro trágico de desrespeitar Crises, um sacerdote de Apolo, recusando-se a devolver sua filha capturada.

Em resposta, Apolo desce do Olimpo “semelhante à noite” e dispara suas flechas contra o acampamento grego durante nove dias. Na concepção grega antiga, as flechas invisíveis de Apolo eram a metáfora para doenças súbitas e pragas. É essa peste que obriga Agamemnon a devolver a garota e, para compensar sua perda, confiscar a escrava Briseida de Aquiles — o que desencadeia a ira do herói e toda a trama do poema.

O Deus da Distância e dos Limites
Apolo representa a ordem cósmica e os limites estritos que separam deuses de mortais. Ao contrário de Atena, que sobe em carruagens e luta corpo a corpo ao lado de seus favoritos, Apolo atua à distância e pune impiedosamente os guerreiros que esquecem sua condição humana.

Quando o herói grego Diomedes, no Canto V, tenta atacar Eneias (que estava sendo protegido por Apolo), o deus o afasta com um grito terrível, lembrando-o de que “a raça dos deuses imortais nunca será igual à dos homens que caminham sobre a terra”.

Durante a Teomaquia (a batalha entre os próprios deuses), no Canto XXI, Poseidon desafia Apolo para um duelo. Apolo se recusa a lutar contra o próprio tio, afirmando que seria loucura deuses brigarem por causa de humanos miseráveis, que “nascem como folhas e logo murcham”.

O Assassinato de Pátroclo (Canto XVI)
A intervenção mais brutal e decisiva de Apolo ocorre na morte de Pátroclo, o ponto de virada de todo o épico.
Pátroclo, vestindo a armadura de Aquiles, entra em um frenesi assassino e tenta invadir as próprias muralhas de Troia. Apolo o repele três vezes com um grito. Na quarta, Pátroclo ignora o aviso. A retaliação é assustadora: em vez de enfrentá-lo em um combate justo, Apolo se aproxima oculto por uma névoa espessa e golpeia Pátroclo pelas costas com a mão espalmada.

O golpe divino
Arranca o capacete de Pátroclo.
Despedaça sua lança e faz seu pesado escudo cair.
Desamarra sua couraça, deixando a mente do herói atordoada e seu corpo paralisado.

Apolo literalmente desarma e cega Pátroclo. O guerreiro troiano Euforbo e, posteriormente, Heitor, apenas finalizam o trabalho que o deus começou. Isso serve para diminuir a glória do golpe final de Heitor e sublinhar o tema central da obra: os humanos são, em última análise, peças movidas pelas vontades divinas.

Conclusão
Na Ilíada, Apolo não é um deus amoroso, mas o executor implacável do destino, o patrono que mata à distância e o eterno lembrete de que a arrogância humana (hubris) sempre será esmagada diante do poder absoluto dos deuses.