Dom Casmurro: Resumíssimo

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Capítulos 1 a 10

➡ CAPÍTULOS 1 A 10

O narrador idoso, Bento Santiago, recebe a alcunha de Dom Casmurro de um rapaz no trem e resolve adotá-la para intitular suas memórias. Ele descreve a construção de uma casa no Engenho Novo que reproduz exatamente a residência de sua infância, visando atar as pontas da juventude e da velhice. A narrativa retorna ao ano de 1857, apresentando a vida do jovem Bentinho na Rua de Mata-cavalos com sua mãe Dona Glória, Tio Cosme, Prima Justina e o agregado José Dias. O conflito inicial é deflagrado quando José Dias denuncia a Dona Glória os sussurros íntimos entre o jovem e a vizinha Capitu. O agregado relembra a antiga promessa da viúva de enviar o garoto ao seminário para se tornar padre. A matriarca fizera essa promessa a Deus por ter perdido um primeiro filho, jurando entregar o segundo à Igreja caso a criança vingasse.

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➡ CAPÍTULOS 11 A 20

Atordoado com a iminência de ir para o seminário, Bentinho corre à casa de Capitu e os dois apaixonados gravam seus nomes no muro do quintal. Eles são flagrados pelo pai da moça, o Sr. Pádua, mas conseguem disfarçar o nervosismo apagando os escritos. Ao descobrir o plano da promessa religiosa, Capitu reage furiosa, chamando a mãe de Bentinho de beata e carola por impor o sacerdócio. Retomando a calma, a jovem revela uma enorme perspicácia prática e elabora uma estratégia de defesa contra os planos dos adultos. Ela instrui o namorado a não aceitar passivamente o destino imposto e a pedir firmemente que José Dias interceda junto a Dona Glória. A alternativa sugerida pela moça é propor que Bentinho vá a São Paulo estudar leis em vez de seguir a carreira eclesiástica.

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➡ CAPÍTULOS 21 A 30

Seguindo as instruções de Capitu, Bentinho procura José Dias e pede que ele desfaça o plano materno, prometendo internamente rezar mil padre-nossos e mil ave-marias caso obtenha sucesso. Durante uma caminhada pelo Passeio Público, o agregado adverte o jovem sobre as companhias da família Pádua e critica duramente Capitu, imortalizando a descrição de que a moça possui olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Apesar das advertências, José Dias se anima imensamente com a possibilidade de o rapaz estudar leis para depois viajar à Europa. A ansiedade do protagonista é tanta que a sua mente viaja por fantasias irreais. Ele chega a sonhar acordado com a figura do Imperador do Brasil intercedendo pessoalmente junto a Dona Glória para poupá-lo do altar.

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➡ CAPÍTULOS 31 A 40

Ao relatar o desenrolar dos fatos a Capitu, a jovem ouve minuciosamente e avalia cada atitude e resposta do agregado. A intimidade dos dois avança significativamente quando Bentinho se atreve a pentear os longos cabelos de Capitu, episódio que marca o aprofundamento do afeto juvenil. Ao serem surpreendidos pela mãe de Capitu, a moça dissimula o clima de romance com um sorriso perfeitamente espontâneo e natural. O laço amoroso se materializa em seguida com o primeiro beijo furtivo entre os adolescentes adolescentes. Simultaneamente, a ameaça eclesiástica cresce com a visita do Padre Cabral, que celebra ruidosamente a vocação cristã do rapaz. Capitu comparece à casa da vizinhança e elogia cinicamente o religioso, chamando-o de protonotário apostólico, revelando notável capacidade de dissimular perante as famílias.

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➡ CAPÍTULOS 41 A 50

Dona Glória demonstra estar irredutível quanto ao cumprimento da promessa, apesar de também sofrer profundamente com a ideia da separação. Capitu se aflige com o futuro incerto, questionando duramente as prioridades de Bentinho e testando sua lealdade caso ela viesse a morrer. Em um gesto de ciúme e ressentimento impulsivo, a moça escreve a palavra “mentiroso” no chão para provocar o amado, mas acabam se reconciliando docemente em seguida. Durante o momento das pazes, fazem o juramento fundamental e solene de que só se casarão um com o outro no futuro. No entanto, a resistência temporária é inútil e chega o dia em que Bentinho é enviado ao seminário de São José, sob a condição consoladora dada pelo Padre Cabral de que sua permanência seria um teste de tempo para confirmar a verdadeira vocação.

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➡ CAPÍTULOS 51 A 60

Os primeiros dias isolados no seminário são marcados por choro contínuo, tristeza opaca e por uma saudade paralisante de Capitu e de sua própria mãe. Com a passagem dos dias, o protagonista vai se acostumando à rotina regrada da vida religiosa e passa a estabelecer conexões com os padres e com os outros seminaristas. Dentre os novos colegas, destaca-se a figura prática de Ezequiel de Escobar, que rapidamente desenvolve uma amizade próxima, genuína e de muita confiança com Bentinho. Na velhice, o narrador resgata um antigo opúsculo de panegírico dos tempos de sacerdócio e, ao manuseá-lo, as suas mais vívidas lembranças daquele período emergem e são projetadas para fora. A memória do idoso foca na certeza indelével de que a sua verdadeira vocação nunca habitou as igrejas, mas sim residia na sua parceira amorosa da meninice.

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➡ CAPÍTULOS 61 A 70

A proximidade crescente com Escobar se fortalece a ponto de o amigo se tornar o confidente central do protagonista sobre o fardo da sua falta de vocação. José Dias faz visitas pontuais ao seminário trazendo recados familiares, mas perturba profundamente Bentinho ao insinuar que Capitu logo encontraria algum peralta da vizinhança para se casar. Essa insinuação cruel planta as garras precoces de um ciúme avassalador na mente do jovem, antecipando seu perfil persecutório e paranoico futuro. Em dado momento, Dona Glória contrai uma febre perigosíssima, fato que obriga Bentinho a sair provisoriamente do seminário. Diante do agravamento e do risco de morte da mãe, ele sente o ímpeto egoísta de desejar que a viuvez divina anulasse o compromisso com Deus, pecado hediondo pelo qual se arrepende logo em seguida indo assistir a uma missa.

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➡ CAPÍTULOS 71 A 80

Escobar inicia a sua presença assídua na casa de Mata-cavalos e conquista de imediato a admiração irrestrita de Dona Glória, bem como dos demais moradores. Os tormentos de Bentinho reacendem sem justificativas sólidas quando ele flagra um cavaleiro elegante fitando as janelas da residência de Capitu. Ele experimenta o desespero solitário no seu quarto e jura mentalmente cortar o relacionamento, mas a vizinha logo reverte e dissolve a crise explicando que o rapaz visto na rua ia, na verdade, casar-se com outra moça de longe. Bentinho passa a partilhar ainda mais detalhes e segredos amorosos com Escobar, louvando moralmente as qualidades inquestionáveis e a modéstia inata de Capitu. O amigo seminarista revela contínua racionalidade para ajudar o amigo angustiado.

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➡ CAPÍTULOS 81 A 90

A convivência cotidiana ilustra a jovem Capitu penetrando cada vez mais o núcleo da família, agradando Dona Glória a tal ponto de se tornar a sua principal companhia matinal. O narrador desvenda nas suas reflexões que a própria mãe mantinha arrependimentos sigilosos sobre a promessa, pois também penava imensamente pela separação do seu único filho. Instigado por orientações de terceiros, o protagonista visita Capitu temporariamente alocada na residência da sua amiga Sancha, e o casal protagoniza mais um momento silencioso de carinho, segurando as mãos com os braços sobre um canapé. Ao regressar para casa flutuando nessa paixão, Bentinho se depara com o triste velório de Manduca, um jovem vizinho letárgico com quem nutria longas polêmicas intelectuais. O distanciamento emocional e prático do rapaz durante o episódio lutuoso ratifica o fato de que os seus pensamentos são consumidos exclusivamente por Capitu.

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➡ CAPÍTULOS 91 A 100

O pesado obstáculo da promessa vocacional acaba sendo resolvido graças a uma intervenção brilhante idealizada por Escobar. O amigo propõe sabiamente que Dona Glória arque com todas as custas da ordenação de um jovem órfão na Igreja, suprindo moralmente a dívida feita a Deus sem precisar sacrificar o destino natural de Bentinho. Com a irrestrita aprovação da manobra pelo clero local, Bentinho liberta-se para sempre da obrigação clerical. Ele segue diretamente para São Paulo onde se forma e volta anos depois como bacharel em Direito, alegrando intensamente os olhos da mãe que vê refletida na sua face envelhecida as exatas semelhanças com o falecido marido. Todo o cenário abre espaço irrestrito para o amor juvenil e o romance clandestino ser oficialmente reconhecido pelas famílias vizinhas. Bentinho pede formalmente o consentimento materno, obtendo a bênção plena e os votos finais para o seu matrimônio iminente com Capitu.

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➡ CAPÍTULOS 101 A 110

Estabelecido profissionalmente e sem as amarras do passado, o casamento de Bentinho e Capitu se concretiza, marcando o início de dias repletos de estabilidade, alegria e tranquilidade íntima no Flamengo. Escobar também decide abandonar a Igreja, engaja-se ativamente no comércio mercantil e consolida sua própria vida conjugal casando-se com Sancha, a velha companheira de internato de Capitu. A intimidade compartilhada entre ambos os casais passa a ser central, com o engenhoso amigo comerciante constantemente angariando e enviando importantes clientes endinheirados para o escritório jurídico do protagonista. A capacidade de articulação de Capitu é comprovada quando ela junta furtivamente economias familiares convertidas em dez libras esterlinas douradas. No entanto, a euforia matrimonial sofre com uma persistente ausência biológica, visto que o casal ressente não conseguir ter filhos nos primeiros anos de enlace, nutrindo forte inveja diante do nascimento corriqueiro de Capituzinha, herdeira dos amigos.

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➡ CAPÍTULOS 111 A 120

Capitu finalmente consegue gerar a aguardada descendência de Bentinho, um saudável menino que vem ao mundo e recebe de pronto o nome de Ezequiel em homenagem franca ao querido e amado amigo. O menino se desenvolve esperto no quintal e adquire um hábito notório e persistente de imitar as expressões e gestuais das demais pessoas ao redor. O encanto familiar desvanece de forma tenebrosa quando o demônio do ciúme retorna para assombrar as paredes mentais do protagonista de modo muito mais maduro e silencioso. Bentinho enxerga em Ezequiel uma assombrosa cópia das proporções físicas e tiques faciais pertencentes unicamente a Escobar, impulsionando suas suspeitas infundadas sobre a integridade e virtude da esposa. A convivência entre todos ainda se arrasta nas aparências, mas uma tensão perturbadora na varanda, envolvendo um toque fortuito e malicioso nas mãos da bela Sancha, expõe os instintos latentes, a culpa avassaladora e os riscos no seio desses envolvimentos excessivamente íntimos.

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➡ CAPÍTULOS 121 A 130

A estrutura amigável das famílias é desintegrada a partir da desgraça ocorrida com Escobar, que impulsionado pelo hábito acaba falecendo abruptamente por afogamento no mar denso e agitado do Flamengo. Durante os lances de horror no velório coletivo, a viúva lamenta-se ruidosamente, porém a atenção ininterrupta e analítica do advogado se foca nas expressões solitárias de sua esposa. O narrador testemunha Capitu se inclinando em direção ao cadáver defunto de forma prolongada, exibindo abertamente grandes e demorados olhos cheios da mesma ressaca do mar, derramando prantos silenciosos e sofridos. Abalado por suas elucubrações psíquicas enlouquecidas, esse mísero instante atua como o juízo e tribunal derradeiro para sentenciar a convicção irremovível de adultério. O amor entre eles desfalece naquele mesmo adro funesto, marcando a decomposição irremediável da vida civil a partir dessa suspeita imutável em torno das reações da mulher.

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➡ CAPÍTULOS 131 A 140

Após afastar-se socialmente e viver dias num lar tomado pelo silêncio opressor, os traços herdados na figura filial enlouquecem as bases de existência do protagonista traumatizado. Atingindo as profundezas do seu próprio abismo mental, Bentinho decide preparar e beber uma xícara de café fatal envenenada para terminar a sua existência em seu gabinete fechado. No ato da consumação, a inocente criança ingressa contente no recinto, levando o narrador corrompido ao impulso assustador de oferecer friamente o veneno letal para extinguir aquele garoto que lhe serve de lembrete vivo. Ele suspende o veneno nos últimos segundos antes da chegada abrupta e imprevista de Capitu ao ambiente. Bentinho desfere uma hostilidade sádica na discussão inevitável contra a moça, negando cruelmente perante ela toda a paternidade originada daquela união. Capitu repele a humilhação argumentando tratar-se da indomável casualidade orgânica da vida, resultando num divórcio espiritual inescrutável e amargo.

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➡ CAPÍTULOS 141 A 148

Atuando preventivamente na sociedade para evitar zumbidos e vergonhas mundanas indesejadas, o dissimulado e rancoroso Bento articula o subterfúgio prático de realizar um embarque simulado de todos com destino aos países da Europa. Em solo estrangeiro, o idoso decreta formalmente um cruel e doloroso exílio eterno sobre Capitu e o jovem rebento, recuando secretamente na solidão fria para o continente sul-americano brasileiro. Passados incontáveis anos, uma sombria carta europeia confirma de longe o falecimento letárgico da sua mulher, lacrando aquela época sem comoção efetiva. A velhice e castigo definitivo alcançam finalmente a cópia da moradia, com a inesperada aparição temporária e vexatória de Ezequiel tornado adulto em uma de suas expedições acadêmicas pelo Brasil. A visão aterroriza o ex-advogado por evidenciar que o moço portava a estampa, feições e sorrisos calcados absolutamente de Escobar, sendo impossível perdoá-lo da existência, até o dia em que um informe derradeiro atesta sua morte adoecida em Jerusalém, arrastando Dom Casmurro à percepção estéril de que seus dois amores tramaram o traíram, consumindo assim as sobras destas memórias lúgubres.

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Capítulo 1

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