Título completo: Dom Casmurro.
Autor: Machado de Assis.
Idioma: Português.
Data da escrita: Fim da década de 1890 (concluído próximo à data de publicação).
Local de escrita: Rio de Janeiro, Brasil.
Data de publicação: 1899.
Período literário: Realismo brasileiro.
Gênero: Romance (ficção psicológica e romance realista).
Narrador: O próprio protagonista, Bento Santiago, que adota a alcunha de Dom Casmurro na velhice. Ele age como um narrador em primeira pessoa não confiável, pois edifica a narrativa a partir das suas memórias, desconfianças e da sua própria perspectiva dos fatos.
Cenário: Na cidade do Rio de Janeiro no século XIX. A ambientação percorre cenários específicos como a casa em que o protagonista cresceu na antiga rua de Mata-cavalos, a sua morada de idoso no Engenho Novo, além de bairros e ruas como Tijuca, Flamengo e Glória.
Ponto-de-vista: Primeira pessoa.
Tom: Irônico, amargo, nostálgico e melancólico. O narrador dirige-se frequentemente ao leitor com cinismo, justificando suas ações passadas.
Protagonista: Bento Santiago (tratado na juventude como Bentinho e apelidado na velhice de Dom Casmurro).
Antagonista: Estruturalmente, não há um vilão explícito nos moldes tradicionais. A partir da perspectiva do narrador, sua esposa Capitu e seu melhor amigo Escobar assumem a função de antagonistas, como agentes da traição que destrói sua vida. No entanto, a nível psicológico, o verdadeiro antagonismo reside na mente do próprio protagonista, em seu ciúme corrosivo e suas obsessões.
Conflitos: O conflito inicial gira em torno da promessa que Dona Glória fez de ordenar Bentinho como padre, desejo que entra em embate frontal com o amor juvenil que ele e a vizinha Capitu nutrem um pelo outro. Na fase adulta, o conflito que engole a trama é a desconfiança obsessiva de Bento em relação à esposa, Capitu. O tormento se torna irresolúvel mediante a suspeita de Bento de que houve um adultério entre Capitu e seu melhor amigo, Escobar, e que o filho do casal, Ezequiel, seria fruto dessa união ilegítima.
Ação Ascendente: O nascimento e fortalecimento do romance proibido entre os adolescentes Bentinho e Capitu. A união de forças e as manobras para livrar Bentinho do seminário e da promessa materna, culminando na sua ida para o estudo do Direito, sua graduação e o ansiado casamento com Capitu. O convívio marital dos casais amigos, o envolvimento próximo entre as famílias e o sofrimento inicial pela ausência de filhos, até a chegada do pequeno Ezequiel. O gradativo desenvolvimento de ciúmes no coração de Bento, intensificado ao começar a reparar que o filho Ezequiel adota os trejeitos e a aparência física do amigo Escobar.
Clímax: O ápice do romance começa a se delinear com o falecimento de Escobar e as cenas do velório. Durante as cerimônias fúnebres, Bento fita os olhos de Capitu sobre o defunto e tem neles a prova absoluta, dentro de sua própria mente, de que a traição de fato existiu. A crise transborda quando o narrador chega a preparar uma xícara de café com veneno com o objetivo de suicidar-se e, em um segundo impulso devastador, cogita oferecer a mesma xícara envenenada à criança. Ele desiste, mas esse momento leva ao rompimento prático do casal, quando ele e Capitu se confrontam de forma cruel a respeito da semelhança do menino.
Ação descendente: A determinação final de separar-se, mas de forma a preservar as aparências e simular um afastamento pacífico com uma viagem de navio à Europa. O estabelecimento de Capitu e do filho na Suíça, resultando no exílio imposto por Bento e em seu regresso solitário ao Brasil. Os anos subsequentes em que Bento vive só, mantendo a fachada perante a sociedade, a notícia do falecimento de Capitu no exterior, e o encontro estarrecedor anos depois com Ezequiel, já um jovem, que assombra Bento por ser a cópia viva de Escobar. O isolamento final do protagonista em sua casa construída à imagem da velha casa de Mata-cavalos, dedicando-se a escrever os relatos do livro.
Antecipação Narrativa: Ao mencionar a justificativa do apelido “Dom Casmurro” para descrever alguém calado e fechado em si, e na famosa definição trazida pelo agregado José Dias sobre os “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” de Capitu, a narrativa instiga e condiciona o leitor a desconfiar do caráter da moça. O encadeamento da memória de Dom Casmurro age continuamente plantando incertezas, avisos diretos aos leitores e descrições sutis da proximidade de Escobar, para arquitetar o desfecho trágico e silencioso em que as relações acabam desmoronando.

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